O Comitê Internacional da Cruz Vermelha mantém, até hoje, um serviço chamado Restoring Family Links, dedicado só a reconectar famílias separadas por guerra, quando um telefone não basta e uma fronteira fechada pode significar anos sem notícia de quem se ama. É esse trabalho real, silencioso e determinado que dá o fôlego final de Os Refugiados, de Domenico Falco.
Uma vida antes de 2011
Antes da guerra civil que começou em 2011, o Soco de Alepo era um dos mercados mais vibrantes e antigos do mundo, arcos de pedra milenares, cheiro de cominho e hortelã, negociantes de todas as origens. É nesse cenário que vive a família de Samir, de 17 anos: o pai Hassan, braço direito do superintendente do mercado; a mãe Alzira, médica formada em Damasco; as irmãs Latifah e Soraia, sonhando com faculdade. Os conflitos da Primavera Árabe pareciam, até então, uma realidade distante.
A marcha até a fronteira
Com a guerra transformando as ruas de Alepo em escombros, sem eletricidade, sem água encanada e sob bombardeio constante, permanecer virou risco de morte. Hassan fecha a porta de casa pela última vez, e a família se junta a milhares de compatriotas numa longa jornada a pé rumo à fronteira turca. Depois de quilômetros de sol e medo, eles chegam ao Campo de Refugiados de Nizip, na Turquia, um dos maiores abrigos mantidos pela ONU na região, um mar de lonas brancas onde recomeçam.

Mesmo sem a vida confortável de antes, cada um encontra um jeito de servir: Alzira se voluntaria na clínica do campo, Hassan organiza a distribuição de rações, as irmãs dão aula pras crianças, Samir entra nas rondas de segurança da comunidade. A rotina traz uma falsa sensação de estabilidade.
A busca que atravessa fronteiras
A provação maior vem à noite, quando o avanço do Estado Islâmico alcança o campo e a família é violentamente separada. Samir é levado para as fileiras de combate em Kobani. Latifah e Soraia caem nas mãos de uma rede de tráfico humano que as isola na Europa. Alzira se recusa a aceitar o luto: ingressa como delegada de saúde na Cruz Vermelha, e com a braçadeira do símbolo no braço, percorre hospitais e postos médicos de zona de guerra em zona de guerra, mostrando a fotografia dos filhos e perguntando por eles.

Nas ruas frias de Paris, a rede invisível de contatos da Cruz Vermelha e das comunidades de imigrantes começa a traçar pistas sobre o paradeiro dos três. Alzira conseguirá reencontrar os filhos, ou a Europa vai provar indiferente demais para devolver o que a guerra levou?
Os Refugiados é uma ode à resiliência e ao sacrifício familiar diante do pior, disponível na Amazon para quem busca ficção histórica com o peso de um conflito real e ainda recente.

Conheça Os Refugiados
A força de uma mãe contra as fronteiras da guerra: conheça Os Refugiados, de Domenico Falco.